Arquitetura Humanizada - 05 Sentidos Humanos e a Complexidade Natural

Durante toda a evolução dos mamíferos - o que remonta a algo em torno de 200 milhões de anos - nossos ancestrais estiveram imersos em ambientes naturais cuja paisagem reunia uma complexa mistura de cores, formas, sons, cheiros e texturas. Tudo isso regido pelo eterno ciclo de dias e noites, luz, sombras e escuridão.

Fig. 01 - Complexidade Natural


Essa complexidade natural moldou os nossos 5 sentidos e os aguçou para percebermos as mais variadas mudanças no ambiente, proporcionando reações primitivas de tranquilidade ou perigo.


Dessa interação de nosso corpo e nossa fisiologia com a natureza, da qual éramos parte integrante e indissociável, desenvolvemos nosso olfato, paladar, visão, audição e tato, ou seja, nossos 05 sentidos humanos.


Viver imersos em um mundo que nos permeava e nos pertencia, apesar dos perigos, nos trazia, nos momentos de calma e tranquilidade, sensações de bem estar e acolhimento, pois tudo nos era familiar e natural.


Algo começou a mudar por volta de 2 milhões de anos atrás, quando se estima que o homem tenha conseguido utilizar pedras lascadas para produzir fogo. Esse pequeno passo na direção de subjugar as forças que nos originaram e que nos moldaram evoluiu de forma lenta até que, por volta de 10 mil anos atrás, o homem domesticou as primeiras plantas e deu origem à agricultura, pondo assim, em pouco tempo, fim ao nomadismo e à caça e coleta como principais meios de subsistência.


Esse domínio da natureza evoluiu para a vida em aldeias, que se tornaram cidades e que fizeram com que o homem se distanciasse cada vez mais da natureza e de sua complexidade, reduzindo a estimulação de seus sentidos e o fazendo perder a qualidade de sua percepção em relação ao meio em que vivia.



Fig. 02 - Cidades sem natureza


As habitações antigas, tal qual as ocas dos indígenas brasileiros, utilizavam elementos naturais e locais que serviram de influência para as construções típicas da arquitetura vernacular. Mas com a evolução tecnológica, em especial depois da segunda guerra mundial, essas construções rústicas deram lugar a ambientes cada vez mais artificiais e estéreis que foram tornando o ato de habitar uma tortura inconsciente, produzida pela cada vez mais radical privação sensorial. Esse efeito fica claro em ambientes totalmente brancos, que são utilizados como meio de tortura psicológica em países como o Irã.



Fig. 03 - Casa Minimalista


Esse minimalismo exagerado, que evoluiu da organização e da simplicidade herdadas do pós-modernismo e da escola Bauhaus do início do século XX, adotou o uso de ambientes “pobres” em termos de estímulos sensoriais como algo vanguardista, provocando uma derradeira cisão na conexão precária que conservávamos com a natureza e que perdurou enquanto procurávamos mimetizar ambientes naturais em projetos de edifícios e interiores.


Dos efeitos dessa tendência da arquitetura sobre as populações urbanas modernas nasceu, no final da década de 80, uma área da psicologia chamada “eco psicologia”. A eco psicologia estuda e trata os efeitos psíquicos do distanciamento dos humanos de seu meio ambiente natural e os impactos sobre o seu “inconsciente ecológico”, que seria o núcleo mais profundo da psique humana, onde estaria o senso íntimo de que somos ligados à Terra e à toda evolução do planeta. Já é amplamente estudado os efeitos nocivos da falta de contato com ambientes naturais sobre a saúde das pessoas no âmbito individual e familiar e na saúde de populações inteiras, no âmbito das cidades.



Fig. 04 - Doenças psíquicas urbanas


Diante de tudo isso, a arquitetura deve ser utilizada como mais um instrumento para o resgate da conexão do homem com sua origem natural e com sua saúde e bem estar por meio da promoção de um maior contato com espaços e ambientes construídos que sejam ricos em estímulos sensoriais. Essa estimulação dos 05 sentidos proporciona a seus usuários uma experiência mais adequada à sua biologia e, consequentemente, um maior bem estar.



Fig. 05 - Arquitetura Humanizada


Essa é uma das abordagens que utilizamos na arquitetura do nosso escritório H2A Arquitetura Humanizada, onde cada trabalho precisa atender a um programa de projeto que traz por padrão a busca por soluções que integrem o estímulo de todos os  sentidos humanos e uma experiência de uso do ambiente construído que promova mais saúde e bem estar a nossos clientes, parceiros e ao planeta.


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Texto de: Sigefredo Pacheco - Arquiteto

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